
O infográfico da Skai sobre “How AI Is Transforming The Way Consumers Shop” mostra uma mudança clara no comportamento dos consumidores. A inteligência artificial já faz parte do processo de compra de forma ativa e, em muitos casos, influencia diretamente a decisão.
Não se trata apenas de curiosidade ou experimentação. Há utilização real, impacto mensurável e diferenças muito claras entre gerações.
A utilização de IA no processo de compra está cada vez mais ligada à fase de decisão. As pessoas recorrem a estas ferramentas para perceber melhor o que comprar e acabam por agir com base nisso.

– 92% dizem que a IA influenciou a decisão de compra.
– 73% tomam uma ação após uma recomendação.
– 65% já clicaram de uma ferramenta de IA para um site de retalho.
Isto mostra que a IA já funciona como um ponto intermédio entre a intenção e a compra. Ou seja, não é apenas uma fonte de informação, mas sim um filtro que orienta escolhas.
O papel da IA ainda está mais forte na fase de pesquisa
Apesar do impacto na decisão, a maior aceitação da IA continua a estar na fase de exploração e comparação.

– 85% sentem-se confortáveis com a IA a pesquisar opções.
– 82% aceitam listas de produtos geradas por IA.
– 70% estão confortáveis com a IA a escolher a melhor opção dentro de um conjunto.
O comportamento é claro: as pessoas valorizam a IA como apoio à decisão. Para além disso, confiam na capacidade de analisar informação, comparar alternativas e organizar opções.
A compra automática ainda tem resistência, mas já está em evolução
O ponto de maior fricção continua a ser o momento da compra automática.
– 47% sentem-se confortáveis com a IA a comprar dentro de regras definidas
Existe ainda uma diferença entre confiar na recomendação e delegar a decisão final. Mesmo assim, quase metade dos consumidores já aceita esse cenário, o que mostra que a barreira está a diminuir.
A Geração Z está muito à frente neste comportamento
Os dados do infográfico mostram uma diferença clara entre gerações. A Geração Z destaca-se tanto na utilização como na confiança.

– 44% usam IA para comparar produtos (vs 30% dos boomers).
– 29% já compraram diretamente através de IA.
– 67% estão confortáveis com compras automáticas dentro de regras.
– 28% aceitariam que a IA comprasse sem qualquer aprovação.
Este comportamento antecipa o que poderá tornar-se normal nos próximos anos. Para muitos destes utilizadores, a IA já faz parte do processo de compra de forma natural.
Existe um gap entre saber e usar
Um dos dados mais interessantes está na diferença entre awareness e utilização.

– 86% sabem que podem usar ChatGPT para compras.
– 48% usaram IA para pesquisa de produtos nos últimos 30 dias.
– 30% ainda não usam IA para compras.
Isto mostra que a adoção ainda não está totalmente consolidada. A tecnologia já é conhecida, mas ainda não faz parte da rotina de todos.
O que os consumidores realmente querem da IA
O infográfico também ajuda a perceber expectativas. As pessoas estão disponíveis para usar IA, mas com condições claras.

Valorizam sobretudo:
– Controlo sobre preferências e regras.
– Comparação de preços entre retalhistas.
– Reviews reais e avaliações de outros utilizadores.
A IA é vista como um assistente inteligente, não como um substituto total do processo.
O que isto muda para quem trabalha em e-commerce
Já todos nós percebemos que há uma mudança relevante a acontecer no percurso até à compra. Parte da decisão está a deslocar-se para fora do site, isto é, para ambientes onde a IA organiza, filtra e recomenda.
Isso obriga a olhar para o comércio eletrónico de forma diferente. A visibilidade deixa de depender apenas de canais tradicionais e passa, também, a depender de como os produtos e conteúdos são interpretados por sistemas de IA.
Parece-me lógico que quem se adaptar mais cedo a esta realidade ganha vantagem, porque à medida que a utilização cresce, a influência destas ferramentas no processo de compra também cresce.


